domingo, 16 de outubro de 2011

Pedrices


Percebi que minhas fotos agora são todas com meu filho.
Assustei-me.
Estaria perdendo a individualidade, esquecendo de mim, colocando-me apenas como mãe? Onde anda minha individualidade? Tenho certeza de que os psicólogos de plantão terão muitas teorias sobre isso e com certeza não muito favoráveis ao me comportamento.
Pensei comigo:
Há algo mais sublime do que dividir sua existência com alguém? Ou permitir que alguém exista a partir de ti?
Eu fiz isso. Emprestei meu corpo para que uma outra criatura fosse gerada.
Loucura! Criei relação com esse ser maravilhoso que veio para meu ventre ainda em ovo e de lá começamos estabalecer a relação mais íntima que pode haver. Isso é unico! Não dá para explicar.
Ele se alimentava de mim única e exclusivamente, ele crescia e enquanto isso acontecia, empurrava meus órgão para garantir seu espaço. Muito louco tudo isso, mas sublime!
Ao longo da gestação foi brotando em mim uma capacidade de amar que não se explica, acontece para alguns apenas( há de se considerar a quantidade de crianças abandonadas)
Acho que o parir foi prematuro. Ao carregar aquela barriga imensa, muitas vezes senti cansaço, medo, insegurança e até desejo de que ele saísse logo, ora para ver sua carinha, ora para livrar-me do peso mesmo. Agora vejo que deveria tê-lo retido mais um pouco dentro de mim. Sinto falta dele aqui, só meu. Nossa cumplicidade, nossas conversas sussurradas.
- 'Fica quietinho, filho, mamãe precisa dar mais uma aula'' e ele me ouvia e ficava quieto. Sei que a maternidade não é igual para toda mulher em alguns casos há muito sofrimento e com isso a relação fica muito empobrecida, mas posso falar de mim e da minha necessidade de sentir meu filho ainda ligado a mim como era no início.
Tenho tentado deixá-lo ir. Cair e levantar sozinho, ser repreendido por outras pessoas que não eu(só quem é mãe sabe como dói ver um estranho brigando com seu filho, mesmo que esse estranho tenha razão), estou amadurecendo nossa relação para iniciar esse novo parto. Doloroso!
Por enquanto ainda não estou preparada para liberá-lo das fotos. Ali permaneço única ligada a ele em um momento só nosso.
Por isso acredito que por um bom tempo ainda minhas fotos não serão individuais no sentido lato, mas no sentido teológico talvez.
Um abraço

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