Procurar por procurar não vale a pena, só se deve procurar quando se está pronto para encontrar.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Pedrices
Percebi que minhas fotos agora são todas com meu filho.
Assustei-me.
Estaria perdendo a individualidade, esquecendo de mim, colocando-me apenas como mãe? Onde anda minha individualidade? Tenho certeza de que os psicólogos de plantão terão muitas teorias sobre isso e com certeza não muito favoráveis ao me comportamento.
Assustei-me.
Estaria perdendo a individualidade, esquecendo de mim, colocando-me apenas como mãe? Onde anda minha individualidade? Tenho certeza de que os psicólogos de plantão terão muitas teorias sobre isso e com certeza não muito favoráveis ao me comportamento.
Pensei comigo:
Há algo mais sublime do que dividir sua existência com alguém? Ou permitir que alguém exista a partir de ti?
Eu fiz isso. Emprestei meu corpo para que uma outra criatura fosse gerada.Há algo mais sublime do que dividir sua existência com alguém? Ou permitir que alguém exista a partir de ti?
Loucura! Criei relação com esse ser maravilhoso que veio para meu ventre ainda em ovo e de lá começamos estabalecer a relação mais íntima que pode haver. Isso é unico! Não dá para explicar.
Ele se alimentava de mim única e exclusivamente, ele crescia e enquanto isso acontecia, empurrava meus órgão para garantir seu espaço. Muito louco tudo isso, mas sublime!
Ao longo da gestação foi brotando em mim uma capacidade de amar que não se explica, acontece para alguns apenas( há de se considerar a quantidade de crianças abandonadas)
Acho que o parir foi prematuro. Ao carregar aquela barriga imensa, muitas vezes senti cansaço, medo, insegurança e até desejo de que ele saísse logo, ora para ver sua carinha, ora para livrar-me do peso mesmo. Agora vejo que deveria tê-lo retido mais um pouco dentro de mim. Sinto falta dele aqui, só meu. Nossa cumplicidade, nossas conversas sussurradas.
- 'Fica quietinho, filho, mamãe precisa dar mais uma aula'' e ele me ouvia e ficava quieto. Sei que a maternidade não é igual para toda mulher em alguns casos há muito sofrimento e com isso a relação fica muito empobrecida, mas posso falar de mim e da minha necessidade de sentir meu filho ainda ligado a mim como era no início.Tenho tentado deixá-lo ir. Cair e levantar sozinho, ser repreendido por outras pessoas que não eu(só quem é mãe sabe como dói ver um estranho brigando com seu filho, mesmo que esse estranho tenha razão), estou amadurecendo nossa relação para iniciar esse novo parto. Doloroso!
Por isso acredito que por um bom tempo ainda minhas fotos não serão individuais no sentido lato, mas no sentido teológico talvez.
Um abraço
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O E aditivo

Adoro a conjunção e! Simples, curta, coordenativa, aditiva.
Ela não subordina, apenas une, soma, aumenta lindamente as coisas, as pessoas, a vida.
Acho que em algum outro texto, já disse que sou dada ao tradicional, se não disse, falo agora. Essa história de ficar mudando o papel das coisas ou das pessoas pode trazer complicações pelo menos é esse o meu ponto de vista. Veja o caso da nossa amiga conjunção coordenativa aditiva.
Classificada originariamente como conjunção coordenativa aditiva o E, essa palavrinha que de tão pequena pode ser confundida com uma simples vogal, quando mal utilizada, pode transformar-se na perigosa conjunção adversativa.
Aditivo é bom, une o semelhante, agrega.
Gosto das pessoas aditivas, elas unem sem maiores interesses. Não acolhem os outros pelas suas qualidades ou capacidade financeira, apenas acolhem e procuram nos inserir em suas vidas de forma generosa.
Claro que pessoas aditivas não estão dando sopa por aí, mas se olharmos com atenção, veremos que ainda há muitas pessoas assim.
Um problema é quando o E passa a ter uma postura adversativa, aí o bicho pega. Não que o adversativo seja ruim, mas ele desestabiliza. A querida conjunção antes agregadora, agora passa a repelir.
Os opostos precisam conviver e há quem diga que os opostos se complementam, mas a harmonia fica prejudicada na adversidade, por isso gosto tanto das coisas no lugar. Aditivo, adicione.
É possível encontrar pessoas adversativas aos montes por aí. Em geral as reconhecemos por sua capacidade de interferir na rotina dos outros(oposição é fogo); eles não excluem, apenas causam tumulto e ao fazerem isso retardam a caminhada que a adição vinha traçando tranquilamente.
Uma amiga querida ultra aditiva tem um marido adversativo.
Ele não é mal, apenas retarda a caminhada dessa amiga.
Ele não é mal, apenas retarda a caminhada dessa amiga.
Juntos há alguns anos, ela se preocupa com a dificuldade de engravidar, a idade é um complicador para mulher. Como a situação financeira dos dois é estável(se é que em tempos de crise isso é possível) ela pensa em engravidar em 2012. Ela quer adicionar algo a relação.
_ E se engravidarmos agora?
_ Não sei...e se a gravidez não for tranquila? E se nos preparássemos primeiro para essa mudança?...
E assim nada acontece e ela vai retardando seu caminho...
Só uma pergunta: como alguém se prepara para ter um filho? Pega um temporário para ver se dá conta?
Mil vezes a boa e velha conjunção aditiva, ela é tradicional, eu sei, mas às vezes essa rotina do tradicional é boa também.
Um abraço aditivo.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Inquietude

Hoje refletia sobre como a vida oferece oportunidades de darmos novos rumos à nossa existência. Em geral quando essas oportunidades chegam, acovardamo-nos diante do medo de não nos reconhecermos nas transformações que se mostram possíveis.
Penso que não é o medo de ficarmos sós, ou de sentirmos saudades do emprego antigo que nos impede de seguirmos em frente. É o medo de não nos acostumarmos com a possibilidade de mudarmos sempre.
Isso é real, mas não é fácil de aceitar.
Buscamos uma constância, uma uniformidade de ações que permite aos outros nos classificar ou colocar em algum grupo: fulano é bonzinho, fulano é sacana, fulano é bem sucedido, cresceu no trabalho, fulano é cuca fresca(ai, que velho)....
Assim, se ficarmos em busca(sabe-se lá de que), corremos o risco de ficar no grupo dos não amadurecidos ou dos inconstantes e nesse grupo poucos querem estar. E a nossa reputação?!
Proponho um brinde àqueles que se permitem buscar, aqueles que se agarram as oportunidades de mudança sendo sinceros com sua inquietação interior.Um brinde aos que não tem medo de errar e seguem buscando algo que lhes faz diferentes.
Contudo, é preciso ser sincera, também não vejo mal algum em ser constante. Também admiro as pessoas que parecem viver em eterna calmaria, aquelas que encontraram um ponto de equilíbrio e seguem seu caminho sem grandes dramas ou inquietações, apenas fazem suas escolhas e convivem em harmonia com ela.
Deixe-me corrigir, um brinde a pessoa humana!
Um abraço ainda inquieto!
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