sexta-feira, 26 de março de 2010

40 anos fazem ou faz diferença?

Os anos passam rápido, é isso mesmo, voam. Quando atentamos, de repente, somos balzaquianas.
E depois de balzaquianas, somos o quê?
Minha sobrinha reponderia na lata.
Velhas!
Bom, o que importa é que na questão do tempo, alguns verbos tendem a causar dificuldades no momento em que temos de fazer a concordância verbal.
Decoramos em algum momento de nossas vidas que alguns verbos, quando remetem à noção de tempo, tornam-se impessoais, ou seja, não flexionarão em número, pois não têm sujeito.
Lembram disso?
Verbo haver com sentido de existir não tem sujeito, potanto permanecerá invariável.
O correto é: Havia pessoas presas no elevador e não haviam pessoas presas no elevador.
Mas, e o verbo fazer? Pode flexionar?
40 anos fazem diferença ou faz diferença?
Aguardem a resposta nos próximos capítulos.

AVS

domingo, 14 de março de 2010

Domingo e crase

Domingo é dia de descansar!
Não para quem está se preparando para algum concurso ou para as moças do lar, como eu, que seguem sua rotina de fazer almoço, dar uma organizadinha na casa, sorrir feliz para o pimpolho que não tem culpa de sua exautão.
Como além de ser do lar, também gosto dessa hitória de estudar para concurso, decidi dar uma passadinha por aqui para comentar uma questão que acho interessante.
Estava passeando em algumas comunidades, dessas em que as pessoas se juntam para discutir melhores livros, professores, cursos, etc. (tá bom, tirei uma folguinha à tarde do ofício de mãe para virar internauta)Percebi que quase sempre os candidatos que estão estudando português, estão estudando crase.
É sério, eles falam que compraram tal livro e estão dando uma lida em crase.
Bom, talvez seja por ter resolvido várias questões sobre esse tema, penso que o tempo de estudo deveria ser melhor aproveitado.
A crase por si só não representa uma complicação, o que deve ser observado para realmente se aprender esse assunto é o contexto que gerou o uso do acento grave.
Aha!
Você não lembrava o nome do acento, achava que era acento crase, né?

Uma vez caiu uma questão para o TJ-MG que tratava sobre isso,o nome do acento que gerava a crase.Vários candidatos erraram essa questão. Como? Por quê?Porque estavam lendo um livro sobre o assunto e não resolvendo questões sobre o assunto.
Depois de aprender que a crase é uma contração/fusão de dois "a".
O candidato precisa apenas raciocinar sobre quais são as condições necessárias para ocorrência desses"a".

Meu amigo candidato decorou a regra 28 do uso de crase: Não se usa crase em palavras femininas no plural que estejam precedidas de a no singular.

ÓBVIO! CLARO!(Desculpem meus arroubos de ira)

Observem a oração:
Eles referiram-se a leis obsoletas.


A palavra leis está no plural precedida de a no singular, então, de acordo com a regra 28, não haverá crase.
Pois é, o verbo referir-se pede preposição a para unir-se ao seu complemento.Quem se refere, se refere a.
Então, há a presença do a preposição, mas e o a artigo ele está ali naquela frase?
Claro que não, pois os artigos acompanham em flexão o substantivo a que se referem, nesse caso o substantivo leis está no feminino plural, sendo assim o artigo que o precede deveria estar no femininno plural(as).
A+as= às, logo não ocorreu crase, pois não havia a presença do artigo precedendo a palavra leis para fazer a fusão, havia apenas o a preposição solicitado pelo verbo referir-se.
Ficou claro ess raciocínio?
Não é necessário ficar trocando de livro,compre um bom livro e tente entender o que permitiu que o autor chegar até aquela regra, assim será mais fácil resolver qualquer questão que envolva aquele assunto.
Logo postarei um ensaio sobre crase.
Bom final de domingo e uma ótima semana.
AVS

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma dor no coração e uma idéia /ideia na cabeça

"Quando tudo está perdido
sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
sempre existe uma luz"...
(Legião Urbana)
Hoje a tristeza não é passageira, peço licença aos amigos para abrir meu coração por um momento, acabei de ler a notícia sobre a morte do cartunista Glauco, da Folha de São Paulo. Senti um aperto, uma tristeza, uma ausência de esperança que me assustou.
Será que vai terminar assim, a gente refém da minoria, sim, porque esses bandidos são minoria, embora pareça que não.
São milhares de famílias destruídas por esses monstros sem coração que não conhecem o valor da vida humana.
Há oito anos, perdi meu irmão mais novo, na época com 19 anos, em um assalto. Ele chegava para dormir no quartel (era cadete do corpo de bombeiro) quando anunciaram o assalto e ele reagiu.
Morreu com três tiros.
A família, essa carrega até hoje a dor, a revolta pela perda brusca de um menino que acreditava na justiça e que se ele fizesse tudo certo, estudasse, trabalhasse, tudo daria certo no final.
Nesse ano, o pai de um amigo querido que muito nos ajudou na época da morte do nosso irmão, morreu ao ter sua casa invadida por bandidos e tentar defender os filhos, menores. Poderia ficar aqui dias escrevendo e descrevendo as sensações, os desesperos, mas não vou.
À família do cartunista, à mãe do lutador morto em Santa Cruz, à mãe do João Hélio, à mãe do meu irmão e a todas as pessoas que passaram por essa situação, pois não dá para enumerar aqui, meu sincero voto de paz, que algum dia vocês possam tirar essa sombra que escurece os dias de sol.

Eu tenho um filho homem e não quero perdê-lo para nenhum assaltante que não conhece o amor, ou a sensação de ser amado ou amar. Quem ama, cuida, protege, educa, valoriza o outro.
A minha ideia, agora sem acento, pois os ditongos abertos em palavras paroxítonas não devem ser acentuados, é que as mães devem juntar-se e cumprir o seu papel, AMAR!
Amem seus filhos, eduquem seus filhos, ensinem a eles a perdoar, a cuidar do outro, a valorizar o ser humano, pois acredito que assim, talvez, possamos algum dia, não viver com tanta frequencia essas dores.
Peço sobre tudo às mães mais carentes que aceitem esse desafio, pois mostrar um horizonte de amor ao filho, quando não se tem o que comer ou vestir e a realidade ao seu redor só propaga dor e humilhação, essa tarefa se torna quase desumana, uma batalha que somente as mais fortes e mais dedicadas conseguirão desenvolver.
Vamos tentar, vamos vencer essa minoria, não tenho respostas, só perguntas, mas vamos tentar. Amem!
Avs

quarta-feira, 10 de março de 2010

Hoje estou de bobeira...

"Me deixa que hoje eu tô de bobeira
Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa
Hoje sou um homem mais sincero e mais justo comigo"
O Rappa
Amooo!! Espero que vocês também. Há algo nessa música que mexe comigo, sempre que ouço quero cantar junto. Está bem, está bem, esses caras são demais.
Aproveito a oportunidade para lembrar que quando falamos, ou escrevemos uma música, é possível tomar algumas liberdades que não seriam permitidas na escrita formal, aquelas das redações de vestibulares, relatórios, etc. Uma regra importante para textos mais formais é não iniciar as frases com o que chamamos de pronomes oblíquos átonos, para quem não lembra são aqueles que, nas orações, funcionam como elementos receptores das ações verbais(me, te, se, o, a, lhe, etc.)
Assim, a música deveria ser escrita em acordo com a norma culta da seguinte forma"deixa-me que hoje estou de bobeira"... hum...sei não, acho melhor continuar cantando em desacordo com a norma.
Bjs
AVS

Esqueci-me...

...de dizer que o trema não sairá das palavras que tenham origem em outras línguas.

O nascimento...

Recebo mensagens de vários amigos, ex-alunos, parentes e sem exceções todos comentam:"não
repare o português." Sim, sou professora de português, nenhuma sumidade no assunto, apenas alguém que aprendeu, com muito esforço, diga-se de passagem um pouco, bem pouco, das regras que norteiam nossa língua materna.
A ideia: Por que não escrever sobre o pouco que sei? Se alguém ler e aprender alguma coisa, será legal.
Uma pergunta? Por que as pessoas se desculpam, mas não tentam aprender a língua para parar de desculpar-se?
A reposta. Porque falar um péssimo inglês é imperdoável, mas português...ah, no final todos entenderão o que você quer dizer mesmo.
Vamos juntos refletir sobre algumas regras, temas e quem sabe no final até gostar de saber mais sobre português. É tão bacana uma pessoa que escreve bem e fala com clareza. Quando crescer quero ser assim. Você também? Então, vamos juntos.
Bom, ao reparar o português, aquele cara estranho que chegou...percebi que as pessoas sabem ou deveriam saber que antes de p e b usa-se m de Maria, sim a esposa do Manuel ou Joaquim; não me refiro ao boteco que serve uma batata frita coberta com linguiça(sem trema, pois não devemos usá-lo mais)maravilhosa no centro do Rio, mas a letrinha mesmo.
Você sabe o porquê dessa combinação?
Isso eu aprendi, as letras p e b são produzidas como bilabiais, ou seja, juntamos os lábios para fazer o som, assim como a letra m, então para ficar mais fácil de produzir o som, é melhor que estejam juntas.
Legal, né?Tente aí produzir o som das letras p, b e m. Viu como são produzidas no mesmo ponto de articulação? Os gregos tinham razão. Não falei, não?Foram os gregos que inventaram essa história de eufonia.
Acho que começamos bem.
Beijos e se quiserem perguntar algo, estarei aqui.
AVS