sábado, 6 de novembro de 2010

Tenho encontrado toda sorte de aluno por essa minha vida atribulada. Cada vez que penso ter vivido o maior absurdo, novas situações me encantam.
Vou contar um absurdo bom e um absurdo ruim.Pode ser?
Estava em minha salinha de tutoria pensando na vida quando aparece uma senhora do curso de Estética que faz a disciplina de produção textual on line.
- Estou com dificuldade de acessar o ambiente?
_ Qual sua dificuldade? A senhora já cadastrou seu e-mail?
_ Minha filha, eu não tenho e-mail! Minha dificuldade é ligar o computador...risos.
Final feliz! Juntas fizemos o bendito e-mail e se hoje ela não é, ainda, a dona das postagens, faz o curso tranquilamente. Uma guerreira essa dona! Brasil de gente boa!
Mas, como nem tudo pode ser sempre bom...
Estou eu em minha salinha de tutoria pensando na vida...
_ Professora, quero saber o motivo do zero que a senhora me deu?(Como se a gente andasse oferecendo zero às pessoas)
- Bom, seu trabalho foi copiado de outro na internet, por isso não havia possibilidade de avaliá-lo.
_ Jura!! Não acredito!
- Está aqui, pode conferir...
_Mil perdões, professora, é que quem fez o trabalho foi o marido de minha colega e ele não falou nada pra gente.

Com essa, um beijo tchau!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu e meus pupilos

É sabido que aluno vai para a escola pensando em como irritar o professor, isso é fato, mas tem hora que até a gente se surpreende.
Estava eu em minha aula "perfeita" de análise sintática preocupada em elucidar para aquela turma as mil e uma maneiras que o assunto (sintaxe)que havia sido finalizado poderia ser cobrado no concurso.
"Se a pergunta for modificador, em geral a busca deve ser feita pelos advérbios ou adjuntos adverbiais, se for complemento, busque os objetos" e a aula seguia quente, todos participando, uma festa até que minha aluna pelinha(toda sala tem uma)fez cara de brava e perguntou: _Professora, eu não estou entendendo!
- Qual é sua dúvida?
- Por que a senhora não está anotando isso no quadro?
- Isso?
- As coisas que a senhora tá falando.
_ Sei(...), as definições dos termos? Modificador, complemento?
_ É, professora, pois cada matéria nova a gente precisa do conceito para poder estudar.
A turma caiu na gargalhada e eu simplesmente não sabia o que fazer.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Mudanças na educação

Tenho de confessar que não aceito sem ressalvas o novo, olho desconfiada, cheiro, toco devagar, retraio-me e aos poucos vou me aproximando para ver se poderei ou não tentar conviver com o que me é apresentado.
Tudo bem, eu sou daquelas neuróticas que fica tentando se prevenir de tudo e todos que possam representar um perigo real ou imaginário, mas quanto mais olho para os resultados das mudanças na educação, mais acredito que, nesse caso, o novo não teve os resultados esperados.
O novo não deu certo!
Diz-se que o ensino da gramática deve ser a partir do texto de forma natural aproveitando os saberes do aluno, acredito e concordo, mas esse modelo funciona melhor quando o aluno vem de um ambiente que seja propício ao aprendizado.

É muito fácil despertar o prazer de ler em uma criança que cedo aprendeu com exemplos da família a amar os livros e as histórias presentes ali.
Aprender as formas geométricas a partir de brinquedos, as línguas a partir das viagens em família...
Mas, como contextualizar o aprendizado a partir do conhecimento prévio do aluno se quando ele acordar, desde sempre, vai sentar-se na rua descalso bebendo sua caneca de café(se tiver) para ver a mãe conversar com a vizinha sobre a tragédia que aconteceu na "comunidade" na noite anterior ou sobre o marido que mais uma vez chegou em casa e quebrou tudo ou sobre o baile que estava uma beleza, é pois dependendo da faixa etária, a conversa da mãe será sobre quantos homens ela ficou no baile no dia anterior.
Depois, irá jogar futebol até a hora de ir para escola almoçar e ouvir a professora falar das letras e os números.Isso dia após dia.

Será esse histórico que a criança/aluno trará para sala de aula.
Os alunos hoje não conhecem os contos infantis, não são capazes de perceber as intertextualidades quase explícitas que os textos trazem, pois nunca ouviram histórias como O patinho feio, A bela e a fera, O pequeno príncipe.

Isso não é uma metáfora e nem estou exagerando, essa é a realidade com que convivo quase que diariamente.
Penso que se não é possível o ensino ideal, por que não voltar ao básico com qualidade?
Por que não permitir ao menos que o aluno aprenda a linguagem formal em seu conceito básico e tradicional para que ele não seja tão discriminado?

De que adianta os livros afirmarem que aquela modalidade da linguagem que o aluno utiliza é uma variante da norma padrão, se ao utilizá-la muitas vezes será repudiado e ridicularizado pela sociedade.

É necessário que se reflita sobre o caminho que a educação seguiu e os benefícios que esse caminho trouxe, afinal, não conheço um professor do município ou estado do Rio de Janeiro que possa afirmar estar satisfeito com a evolução do aprendizado de seus alunos, e a maioria da nossa população estuda em escolas públicas.
Entristeço-me e penso em como contribuir para melhorar essa realidade.
Aceito sugestões.
AVS

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Como gerenciar melhor seu tempo

Bom, aproveitando o tempo, quero deixar claro aqui que a resposta para a postagem anterior é 40anos fazem diferença, pois a forma 4o anos, nessa oração, é sujeito do verbo fazer que nesse caso não será impessoal.
Aplausos para nosso amigo Caio!!!!

Como gerenciar melhor seu tempo é algo que várias pessoas querem saber, afinal, a maioria das pessoas que conheço chega ao fim do dia com listas de coisas que não conseguiu fazer no dia, desde ligar para parabenizar o amigo aniversariante do dia até aquele relatório que o chefe pediu há três dias e você não conseguiu entregar ainda.
Lista! Esse é o segredo!Gente, funciona!
Comecei a listar o que precisava fazer durante o dia e percebi que metade das coisas que me atormentavam poderiam ser redistribuídas ou delagadas a outros e assim, no final, além de mais organizada, passei a chegar ao fim do dia com uma sensação de competência, que muito me alegra.

Não prometer o que não sabe se poderá cumprir!
Prometi que escreveria todos os dias aqui no Blog, mas isso, hoje, é inviável, pois a quantidade de tarefas na minha lista, inviabiliza esse compromisso. Resultado, frustração!
Portanto, crie metas dentro de sua realidade!

Crie um momento de descanso!
Ao longo do dia, seu momento de descanso não pode ser apenas o horário em que você dorme, tente separar 20 a 30 min para fazer algo que você aprecia, ouvir música, ler ums páginas, escrever, correr...
Atenção! Não extrapole no tempo de lazer, pois depois todo seu cronograma estará comprometido.

Comece com esses três passos e veja como seu dia será mais produtivo.
Para terminar, ame-se, ame seu trabalho, sua família, sua vida, quando estamos amando tudo parece melhor!

sexta-feira, 26 de março de 2010

40 anos fazem ou faz diferença?

Os anos passam rápido, é isso mesmo, voam. Quando atentamos, de repente, somos balzaquianas.
E depois de balzaquianas, somos o quê?
Minha sobrinha reponderia na lata.
Velhas!
Bom, o que importa é que na questão do tempo, alguns verbos tendem a causar dificuldades no momento em que temos de fazer a concordância verbal.
Decoramos em algum momento de nossas vidas que alguns verbos, quando remetem à noção de tempo, tornam-se impessoais, ou seja, não flexionarão em número, pois não têm sujeito.
Lembram disso?
Verbo haver com sentido de existir não tem sujeito, potanto permanecerá invariável.
O correto é: Havia pessoas presas no elevador e não haviam pessoas presas no elevador.
Mas, e o verbo fazer? Pode flexionar?
40 anos fazem diferença ou faz diferença?
Aguardem a resposta nos próximos capítulos.

AVS

domingo, 14 de março de 2010

Domingo e crase

Domingo é dia de descansar!
Não para quem está se preparando para algum concurso ou para as moças do lar, como eu, que seguem sua rotina de fazer almoço, dar uma organizadinha na casa, sorrir feliz para o pimpolho que não tem culpa de sua exautão.
Como além de ser do lar, também gosto dessa hitória de estudar para concurso, decidi dar uma passadinha por aqui para comentar uma questão que acho interessante.
Estava passeando em algumas comunidades, dessas em que as pessoas se juntam para discutir melhores livros, professores, cursos, etc. (tá bom, tirei uma folguinha à tarde do ofício de mãe para virar internauta)Percebi que quase sempre os candidatos que estão estudando português, estão estudando crase.
É sério, eles falam que compraram tal livro e estão dando uma lida em crase.
Bom, talvez seja por ter resolvido várias questões sobre esse tema, penso que o tempo de estudo deveria ser melhor aproveitado.
A crase por si só não representa uma complicação, o que deve ser observado para realmente se aprender esse assunto é o contexto que gerou o uso do acento grave.
Aha!
Você não lembrava o nome do acento, achava que era acento crase, né?

Uma vez caiu uma questão para o TJ-MG que tratava sobre isso,o nome do acento que gerava a crase.Vários candidatos erraram essa questão. Como? Por quê?Porque estavam lendo um livro sobre o assunto e não resolvendo questões sobre o assunto.
Depois de aprender que a crase é uma contração/fusão de dois "a".
O candidato precisa apenas raciocinar sobre quais são as condições necessárias para ocorrência desses"a".

Meu amigo candidato decorou a regra 28 do uso de crase: Não se usa crase em palavras femininas no plural que estejam precedidas de a no singular.

ÓBVIO! CLARO!(Desculpem meus arroubos de ira)

Observem a oração:
Eles referiram-se a leis obsoletas.


A palavra leis está no plural precedida de a no singular, então, de acordo com a regra 28, não haverá crase.
Pois é, o verbo referir-se pede preposição a para unir-se ao seu complemento.Quem se refere, se refere a.
Então, há a presença do a preposição, mas e o a artigo ele está ali naquela frase?
Claro que não, pois os artigos acompanham em flexão o substantivo a que se referem, nesse caso o substantivo leis está no feminino plural, sendo assim o artigo que o precede deveria estar no femininno plural(as).
A+as= às, logo não ocorreu crase, pois não havia a presença do artigo precedendo a palavra leis para fazer a fusão, havia apenas o a preposição solicitado pelo verbo referir-se.
Ficou claro ess raciocínio?
Não é necessário ficar trocando de livro,compre um bom livro e tente entender o que permitiu que o autor chegar até aquela regra, assim será mais fácil resolver qualquer questão que envolva aquele assunto.
Logo postarei um ensaio sobre crase.
Bom final de domingo e uma ótima semana.
AVS

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma dor no coração e uma idéia /ideia na cabeça

"Quando tudo está perdido
sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
sempre existe uma luz"...
(Legião Urbana)
Hoje a tristeza não é passageira, peço licença aos amigos para abrir meu coração por um momento, acabei de ler a notícia sobre a morte do cartunista Glauco, da Folha de São Paulo. Senti um aperto, uma tristeza, uma ausência de esperança que me assustou.
Será que vai terminar assim, a gente refém da minoria, sim, porque esses bandidos são minoria, embora pareça que não.
São milhares de famílias destruídas por esses monstros sem coração que não conhecem o valor da vida humana.
Há oito anos, perdi meu irmão mais novo, na época com 19 anos, em um assalto. Ele chegava para dormir no quartel (era cadete do corpo de bombeiro) quando anunciaram o assalto e ele reagiu.
Morreu com três tiros.
A família, essa carrega até hoje a dor, a revolta pela perda brusca de um menino que acreditava na justiça e que se ele fizesse tudo certo, estudasse, trabalhasse, tudo daria certo no final.
Nesse ano, o pai de um amigo querido que muito nos ajudou na época da morte do nosso irmão, morreu ao ter sua casa invadida por bandidos e tentar defender os filhos, menores. Poderia ficar aqui dias escrevendo e descrevendo as sensações, os desesperos, mas não vou.
À família do cartunista, à mãe do lutador morto em Santa Cruz, à mãe do João Hélio, à mãe do meu irmão e a todas as pessoas que passaram por essa situação, pois não dá para enumerar aqui, meu sincero voto de paz, que algum dia vocês possam tirar essa sombra que escurece os dias de sol.

Eu tenho um filho homem e não quero perdê-lo para nenhum assaltante que não conhece o amor, ou a sensação de ser amado ou amar. Quem ama, cuida, protege, educa, valoriza o outro.
A minha ideia, agora sem acento, pois os ditongos abertos em palavras paroxítonas não devem ser acentuados, é que as mães devem juntar-se e cumprir o seu papel, AMAR!
Amem seus filhos, eduquem seus filhos, ensinem a eles a perdoar, a cuidar do outro, a valorizar o ser humano, pois acredito que assim, talvez, possamos algum dia, não viver com tanta frequencia essas dores.
Peço sobre tudo às mães mais carentes que aceitem esse desafio, pois mostrar um horizonte de amor ao filho, quando não se tem o que comer ou vestir e a realidade ao seu redor só propaga dor e humilhação, essa tarefa se torna quase desumana, uma batalha que somente as mais fortes e mais dedicadas conseguirão desenvolver.
Vamos tentar, vamos vencer essa minoria, não tenho respostas, só perguntas, mas vamos tentar. Amem!
Avs

quarta-feira, 10 de março de 2010

Hoje estou de bobeira...

"Me deixa que hoje eu tô de bobeira
Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa
Hoje sou um homem mais sincero e mais justo comigo"
O Rappa
Amooo!! Espero que vocês também. Há algo nessa música que mexe comigo, sempre que ouço quero cantar junto. Está bem, está bem, esses caras são demais.
Aproveito a oportunidade para lembrar que quando falamos, ou escrevemos uma música, é possível tomar algumas liberdades que não seriam permitidas na escrita formal, aquelas das redações de vestibulares, relatórios, etc. Uma regra importante para textos mais formais é não iniciar as frases com o que chamamos de pronomes oblíquos átonos, para quem não lembra são aqueles que, nas orações, funcionam como elementos receptores das ações verbais(me, te, se, o, a, lhe, etc.)
Assim, a música deveria ser escrita em acordo com a norma culta da seguinte forma"deixa-me que hoje estou de bobeira"... hum...sei não, acho melhor continuar cantando em desacordo com a norma.
Bjs
AVS

Esqueci-me...

...de dizer que o trema não sairá das palavras que tenham origem em outras línguas.

O nascimento...

Recebo mensagens de vários amigos, ex-alunos, parentes e sem exceções todos comentam:"não
repare o português." Sim, sou professora de português, nenhuma sumidade no assunto, apenas alguém que aprendeu, com muito esforço, diga-se de passagem um pouco, bem pouco, das regras que norteiam nossa língua materna.
A ideia: Por que não escrever sobre o pouco que sei? Se alguém ler e aprender alguma coisa, será legal.
Uma pergunta? Por que as pessoas se desculpam, mas não tentam aprender a língua para parar de desculpar-se?
A reposta. Porque falar um péssimo inglês é imperdoável, mas português...ah, no final todos entenderão o que você quer dizer mesmo.
Vamos juntos refletir sobre algumas regras, temas e quem sabe no final até gostar de saber mais sobre português. É tão bacana uma pessoa que escreve bem e fala com clareza. Quando crescer quero ser assim. Você também? Então, vamos juntos.
Bom, ao reparar o português, aquele cara estranho que chegou...percebi que as pessoas sabem ou deveriam saber que antes de p e b usa-se m de Maria, sim a esposa do Manuel ou Joaquim; não me refiro ao boteco que serve uma batata frita coberta com linguiça(sem trema, pois não devemos usá-lo mais)maravilhosa no centro do Rio, mas a letrinha mesmo.
Você sabe o porquê dessa combinação?
Isso eu aprendi, as letras p e b são produzidas como bilabiais, ou seja, juntamos os lábios para fazer o som, assim como a letra m, então para ficar mais fácil de produzir o som, é melhor que estejam juntas.
Legal, né?Tente aí produzir o som das letras p, b e m. Viu como são produzidas no mesmo ponto de articulação? Os gregos tinham razão. Não falei, não?Foram os gregos que inventaram essa história de eufonia.
Acho que começamos bem.
Beijos e se quiserem perguntar algo, estarei aqui.
AVS