terça-feira, 4 de maio de 2010

Mudanças na educação

Tenho de confessar que não aceito sem ressalvas o novo, olho desconfiada, cheiro, toco devagar, retraio-me e aos poucos vou me aproximando para ver se poderei ou não tentar conviver com o que me é apresentado.
Tudo bem, eu sou daquelas neuróticas que fica tentando se prevenir de tudo e todos que possam representar um perigo real ou imaginário, mas quanto mais olho para os resultados das mudanças na educação, mais acredito que, nesse caso, o novo não teve os resultados esperados.
O novo não deu certo!
Diz-se que o ensino da gramática deve ser a partir do texto de forma natural aproveitando os saberes do aluno, acredito e concordo, mas esse modelo funciona melhor quando o aluno vem de um ambiente que seja propício ao aprendizado.

É muito fácil despertar o prazer de ler em uma criança que cedo aprendeu com exemplos da família a amar os livros e as histórias presentes ali.
Aprender as formas geométricas a partir de brinquedos, as línguas a partir das viagens em família...
Mas, como contextualizar o aprendizado a partir do conhecimento prévio do aluno se quando ele acordar, desde sempre, vai sentar-se na rua descalso bebendo sua caneca de café(se tiver) para ver a mãe conversar com a vizinha sobre a tragédia que aconteceu na "comunidade" na noite anterior ou sobre o marido que mais uma vez chegou em casa e quebrou tudo ou sobre o baile que estava uma beleza, é pois dependendo da faixa etária, a conversa da mãe será sobre quantos homens ela ficou no baile no dia anterior.
Depois, irá jogar futebol até a hora de ir para escola almoçar e ouvir a professora falar das letras e os números.Isso dia após dia.

Será esse histórico que a criança/aluno trará para sala de aula.
Os alunos hoje não conhecem os contos infantis, não são capazes de perceber as intertextualidades quase explícitas que os textos trazem, pois nunca ouviram histórias como O patinho feio, A bela e a fera, O pequeno príncipe.

Isso não é uma metáfora e nem estou exagerando, essa é a realidade com que convivo quase que diariamente.
Penso que se não é possível o ensino ideal, por que não voltar ao básico com qualidade?
Por que não permitir ao menos que o aluno aprenda a linguagem formal em seu conceito básico e tradicional para que ele não seja tão discriminado?

De que adianta os livros afirmarem que aquela modalidade da linguagem que o aluno utiliza é uma variante da norma padrão, se ao utilizá-la muitas vezes será repudiado e ridicularizado pela sociedade.

É necessário que se reflita sobre o caminho que a educação seguiu e os benefícios que esse caminho trouxe, afinal, não conheço um professor do município ou estado do Rio de Janeiro que possa afirmar estar satisfeito com a evolução do aprendizado de seus alunos, e a maioria da nossa população estuda em escolas públicas.
Entristeço-me e penso em como contribuir para melhorar essa realidade.
Aceito sugestões.
AVS